Art. 0011 Rev. 1595
Branca-ursina
De Hogweed.org, a enciclopédia mantida em comum
Índice
Este artigo é sobre a espécie europeia nativa. Para a espécie invasora, ver Branca-ursina-gigante. Para outras plantas chamadas branca-ursina, ver Branca-ursina (desambiguação).
Branca-ursina (Heracleum sphondylium), na Grã-Bretanha normalmente apenas hogweed e em inglês mais antigo cow parsnip, é uma umbelífera nativa de prados, bermas, margens de rios e orlas de bosques por toda a Europa. É a espécie-tipo do género Heracleum,1 e as brancas-ursinas-gigantes tomam dela os seus nomes comuns: inglês giant hogweed, polaco barszcz Sosnowskiego, russo borshchevik Sosnovskogo. Raramente ultrapassa 1,5 m de altura, tem flores brancas em umbelas até 17 cm de diâmetro, e não está listada como espécie invasora.234
As suas folhas e rebentos jovens eram comidos, dados a porcos e vacas, e fermentados numa sopa azeda comummente comida na Polónia e na Lituânia até ao século XVII. A sopa chamava-se barszcz. A partir do século XVIII tornou-se comida dos pobres, a beterraba substituiu a branca-ursina na panela, e a nova sopa herdou o nome.567
Taxonomia
Nome e tipo
Lineu descreveu Heracleum sphondylium em 1753, dando como habitat «os bosques da Europa». O seu lectótipo, o espécime que fixa o nome, é uma folha do herbário de George Clifford, no Museu de História Natural de Londres; é também o tipo do género, pelo que Heracleum é definido por esta planta e não pelas suas parentes gigantes.81 O epíteto vem do grego sphondylion, um diminutivo de sphondylos, «vértebra», e o nome da branca-ursina em Dioscórides; Plínio escreveu spondylium.9
Subespécies
A espécie é muito variável. A Flora Europaea divide-a em nove subespécies, a maioria plantas de montanha do sul e centro da Europa;10 a World Checklist de Kew aceita quinze, e trata a branca-ursina-siberiana, de flores verde-amareladas, H. sibiricum, como espécie própria.11 A flora ibérica considera as subespécies longe de claras.3 As folhas vão de pinadas a ternadas a inteiras, e todas as formas se ligam por intermédios: nos Alpes italianos o botânico R. K. Brummitt viu toda a variação num raio de meia milha.12 Brummitt também não encontrou nenhum carácter que separasse a cow parsnip americana de uma das subespécies europeias, e reduziu-a a sinónimo;12 Kew aceita-a hoje como espécie separada, H. maximum.11 O número de cromossomas é 2n = 22, como nas brancas-ursinas-gigantes.313
Híbridos com a branca-ursina-gigante
Onde as duas espécies se encontram, a branca-ursina e a branca-ursina-gigante produzem híbridos intermédios na forma e quase estéreis.14 Os cruzamentos só resultam num sentido: com a branca-ursina como progenitora feminina, a produção de semente foi de 22–23 por cento, enquanto o cruzamento inverso falhou, talvez porque os estiletes da gigante são mais compridos.13 Os insetos ajudam a manter as espécies separadas. Num local britânico onde ambas cresciam, foram capturadas 59 espécies de insetos na branca-ursina e 48 na gigante, apenas 23 delas em ambas, e cada inseto transportava quase só o pólen da planta em que tinha sido capturado.15
Na Grã-Bretanha e na Irlanda o híbrido é uma perene alta, de muitos caules, das margens de rios, registada pela primeira vez na Irlanda no rio Liffey em 1951 e na Grã-Bretanha no rio Brent em 1962; é provavelmente subregistado.16 Já se sugeriu que a gigante poderia ser hibridizada até à extinção. Tendo feito os cruzamentos, Fiona Stewart e John Grace acharam isso improvável: se algum gene fluísse, fluiria da gigante para a planta nativa, não o contrário.13 No norte da Noruega, a branca-ursina-siberiana cruza-se com a branca-ursina-da-Pérsia, e o híbrido fértil transmite genes para a planta nativa.17
Nomes
O nome inglês cow parsnip foi cunhado por William Turner em 1548, que escreveu que a planta «pode ser chamada em inglês Cowpersnepe»; em 1657 William Coles explicou-o como boa forragem para vacas.1819 A palavra hogweed está registada desde 1707, como nome de plantas que os porcos comiam ou que se pensava serem próprias apenas para eles; os dicionários não dizem a que planta se referia o primeiro registo.20 Coles escreveu que os porcos comiam esta avidamente, e em 1865 uma flora vitoriana explicava o nome pelos porcos que «engordam depressa» com as suas folhas.1921 Outros nomes ingleses incluem keck e kex, madnep, pig’s bubbles, pig’s cole, rabbit-meat e swine weed.
Em grande parte da Europa a planta é uma pata-de-urso: alemão Bärenklau, dinamarquês bjørneklo, húngaro medvetalp, russo medvezh’ya lapa. O latim medieval branca ursina, «pata de urso», foi primeiro o nome do acanto, cujas folhas são semelhantes, e passou para a branca-ursina primeiro em França — dando origem, por essa via, ao próprio nome português da planta. O alemão mais antigo mantinha os dois separados, chamando ao acanto a verdadeira ou italiana garra de urso, e à branca-ursina a alemã ou falsa.22
O eslavo barszcz e borshch significavam primeiro a planta. A sua origem procura-se em palavras para uma ponta ou cerda, devido às folhas afiadas da planta, aparentadas com o alemão Borste.76 O nome passou da planta para a sopa feita com ela, e dessa sopa para a sopa de beterraba que a substituiu.76 Em 1883 a mudança já estava completa ao ponto de um questionário polaco sobre plantas populares ter de perguntar pelo «barszcz planta», para o distinguir da sopa.23 O nome russo do género, borshchevik, forma-se da mesma palavra, e foi assim que a cultura de silagem soviética se tornou borshchevik Sosnovskogo.
Descrição
A branca-ursina cresce normalmente 0,5–1,5 m, ocasionalmente até 2 m, e na Ibéria até 2,8 m.23 O caule é robusto, oco e sulcado, com pelos rígidos apontados para baixo.21 As folhas são pinadas, com dois ou três pares de folíolos largos e lobados, pilosas, até 35 cm de comprimento, e cheiram vagamente a funcho ou anis quando esmagadas.122124 Uma raiz pivotante, por vezes com várias cabeças, pode descer 2 m.24
As umbelas têm até 17 cm de diâmetro, com 10–32 raios desiguais.3 As flores são brancas, por vezes tingidas de rosa ou violeta; as flores externas de cada umbela têm pétalas externas alargadas, divididas em dois lóbulos.32421 As plantas da subespécie siberiana têm umbelas mais soltas, de flores verde-amareladas.25 A umbela terminal tem flores hermafroditas; as umbelas laterais têm flores masculinas, sozinhas ou misturadas com hermafroditas.3 As flores são fortemente protândricas. As anteras abrem entre as sete e as nove da manhã; a fase masculina de uma umbela dura quatro ou cinco dias, e depois de um intervalo os estigmas de toda a umbela tornam-se recetivos no mesmo dia.13 A planta é autocompatível, mas em experiências as umbelas autopolinizadas produziram em média 16 por cento de semente, contra cerca de 67 por cento quando polinizadas cruzadamente.213
O fruto divide-se em duas metades planas e aladas, de 6–10 mm de comprimento, pesando 5–7 mg cada.326 As estimativas de semente produzida por planta vão de uma média de cerca de 850 a 5000–8000, uma fração da gigante.26 A floração vai de junho a setembro.227
Tempo de vida
As floras discordam sobre quanto tempo a planta vive. A Flora Europaea e a flora ibérica chamam-lhe bienal ou perene de vida curta, e uma base de dados britânica de traços classifica-a como bienal; fontes alemãs e britânicas descrevem uma perene que floresce repetidamente.13328227 Numa plantação experimental no sudeste da Escócia, acompanhada de 1978 a 1982, mais de metade das brancas-ursinas sobreviveu cinco anos, e muitas floresceram em cada uma de quatro estações; as brancas-ursinas-gigantes floresceram uma vez, no terceiro ao quinto ano, e geralmente morreram.13
Germinação
A semente precisa de inverno. A sua dormência só se quebra, e o embrião só cresce, abaixo dos 10 °C: a 2 °C o embrião quadruplica de tamanho em nove semanas, enquanto a 15 °C para de crescer depois de duplicar.2930 As plântulas nascem quase todas de uma vez, no início da primavera.29 Ao contrário da branca-ursina-gigante, cuja semente pode sobreviver anos no solo, mantém quase nenhum banco de sementes: depois de uma sementeira de outono, restam poucas sementes viáveis ao fim de um ano, e 88 de 93 registos numa base de dados europeia de traços descrevem o seu banco de sementes como transitório.3126
Distribuição e habitat
A branca-ursina é nativa da Europa até à Turquia e a Marrocos, e foi introduzida no nordeste da América do Norte, na Nova Zelândia, na Islândia e nas Faroé.11 Na Grã-Bretanha e na Irlanda cresce praticamente em toda a parte, do nível do mar até 1005 m, e a sua distribuição não mudou de forma apreciável desde a década de 1960.27 Cresce em pastagens ásperas e perturbadas, especialmente em bermas, e em carreiros de bosque, margens de rios, dunas e falésias.27 Nas bermas britânicas o cerefólio-selvagem floresce primeiro, depois a branca-ursina e o cerefólio-áspero, e entre eles dão às bermas a névoa branco-cremosa do final da primavera e do verão.32
É uma planta de terreno fértil e um forte indicador de azoto.2 Nos prados de feno suíços espalha-se onde se aplica chorume a mais e a erva é cortada raramente de menos, e não cresce em pastagens.24 Numa experiência checa, uma pequena dose de azoto aumentou-a, e cortar duas semanas mais cedo do que o habitual reduziu-a.33
Ecologia
A branca-ursina é visitada por mais de cem espécies de insetos. No nordeste da Polónia, mais de 108 espécies visitaram as suas flores ao longo de duas estações, mas apenas duas ou três faziam a maior parte da polinização, sobretudo moscas de tamanho médio. As flores em fase masculina eram mais visitadas do que as em fase feminina, e alguns visitantes vinham apenas às flores em fase masculina, podendo ser antes parasitas do que polinizadores.3435 As vespas sociais vêm pelo néctar, atraídas por um aroma em que o linalol é o composto principal.36 Na Grã-Bretanha, o escaravelho-soldado-vermelho, Rhagonycha fulva, está tão ligado à planta que é conhecido como o «escaravelho-namorador-da-branca-ursina»; os adultos vivem uma mediana de 4,4 dias.37
Na Suíça encontraram-se 34 espécies de artrópodes herbívoros na branca-ursina e 34 na branca-ursina-gigante, 26 delas em ambas.38 A branca-ursina é o hospedeiro nativo preferido da lagarta-mineira-da-pastinaca, Depressaria radiella, cujas lagartas se alimentam em teias no fruto a amadurecer e depois perfuram o caule oco para pupar. Bichos-de-conta, tesourinhas e aranhas mudam-se depois para os buracos.39 Plantas selvagens na Escócia, sem sintomas visíveis, transportavam seis vírus, todos os quais infetaram umbelíferas cultivadas em experiências.40
Toxicidade
Tal como as brancas-ursinas-gigantes, a branca-ursina contém furanocumarinas, mas sobretudo nas raízes e nos frutos. Num teste de nove subespécies, os frutos eram fototóxicos em todas elas, e as folhas das duas comuns no norte da Europa geralmente nada.41 Plantas romenas não tinham furanocumarinas detetáveis nas folhas ou nos caules, cerca de 6 mg por grama nas raízes e até 3,5 mg por grama nos frutos verdes.42 Numa comparação, as folhas da branca-ursina-siberiana continham cerca de um sexto do que as da branca-ursina-de-Sosnowsky; os frutos das duas continham valores semelhantes.43
Ainda assim queima. Em 1975, dermatologistas relataram 58 soldados que tinham desenvolvido faixas de bolhas depois de serviço de campo em vegetação que incluía branca-ursina, a que chamaram a causa mais importante de tais reações nas suas latitudes.44 As roçadoras rotativas espalham a seiva com a erva cortada, produzindo queimaduras difusas em vez de listadas,45 e as roçadoras a fio causam a «erupção do aparador»; o conselho é aparar ao entardecer.46 Um cavalo na Grã-Bretanha terá sido fotossensibilizado por ela em 2010.47
O óleo do fruto, estudado já em 1876, é rico em compostos octílicos: numa amostra turca, metade era octanol.4849
Usos
Barszcz
As folhas e talos fermentados estão registados pela primeira vez em 1595, por Marcin de Urzędów, que descreveu a branca-ursina azedada à maneira polaca como boa para febres e sede, para ser comida com ovo e manteiga em dias sem carne. Dois anos depois, John Gerard escreveu que o povo da Polónia e da Lituânia fermentava dela uma bebida com levedura, bebida em vez de cerveja.550 Em 1613 o herbalista polaco Syrennius descreveu a planta como familiar a todos na Polónia, na Rutênia, na Lituânia e na Samogícia; as folhas eram colhidas em maio e a sopa era feita sozinha ou com frango, ovos, natas ou painço. No século XVII era servida aos professores da Universidade Jaguelónica de Cracóvia todas as quartas-feiras da Quaresma, e como sopa principal na Páscoa.5
Para a fazer, folhas e talos jovens eram cobertos com água morna e deixados alguns dias a azedar. Adam Maurizio, historiador da alimentação, chamou-lhe a principal sopa fermentada dos eslavos, e Łukasz Łuczaj e Wojciech Szymański chamam à branca-ursina o último vegetal selvagem lacto-fermentado da Polónia.5
No século XVIII a sopa tinha-se tornado um alimento raro dos pobres. Em 1783 um naturalista polaco escreveu que o povo comum fazia uma sopa chamada barszcz a partir de branca-ursina, e em 1799 descreveram-se aldeões lituanos a fermentar ou secar as folhas jovens. A sopa de beterraba tomou-lhe o lugar e o nome; o último registo da Lituânia data de 1845.5 O barszcz de branca-ursina sobreviveu nalgumas aldeias: em Straconka, nos Beskides, uma mulher nascida em 1880 fê-lo até aos anos 1940 ou 1950, e em Rabka-Zdrój as partes verdes eram comida de fome antes da Primeira Guerra Mundial.551 Em 1883, metade dos doze correspondentes do que é hoje a Bielorrússia ainda relatava o uso da planta em sopas azedas.23
Noutros lugares
Na Sibéria, segundo J. G. Gmelin, tal como recontado numa flora vitoriana, os talos descascados eram comidos, os talos eram secos até se formar neles uma substância açucarada, e deles se destilava um aguardente que Gmelin achou mais agradável do que o aguardente de cereal; qual branca-ursina ele descreveu não é certo.21 Em partes de Inglaterra as folhas eram colhidas para os porcos, e em Somerset «extensivamente colhidas» para eles.1921 Em Aberdeenshire, uma velha dava às suas vacas um cesto cheio todas as noites na época, e atribuía-lhe o leite da manhã seguinte.19
A mesma flora vitoriana achava que os rebentos jovens sabiam a espargos e lamentava que a planta, geralmente tida por infestante nociva, não fosse mais comida: «poderia realmente ser utilmente empregada, se o nosso campesinato fosse melhor informado».21 Os apanhadores ainda comem os rebentos, e usam a semente como especiaria.52 Na Roménia a planta é vendida em suplementos alimentares para potência, fertilidade e equilíbrio hormonal; três tinturas testadas forneceriam até 13 vezes a dose diária de furanocumarinas que os autores usaram como limiar.42 Uma revisão de 2023, financiada pelo programa de recuperação NextGenerationEU da União Europeia, propôs domesticá-la como nova cultura comercial.52
Nas quintas é uma bênção mista. As folhas jovens são ricas e facilmente digeridas, mas depressa se tornam lenhosas e esfarelam-se na fenação, e em quantidade a planta não tem valor como forragem e sufoca melhores plantas forrageiras.24 Um herbicida em desenvolvimento para pastagens lista-a entre as umbelíferas difíceis de controlar.53
Estatuto
A branca-ursina é Pouco Preocupante na Grã-Bretanha e não está ameaçada na Alemanha.272 Não consta da lista da União Europeia de espécies exóticas invasoras nem do Anexo 9 do Wildlife and Countryside Act, que nomeiam ambos a branca-ursina-gigante.454
Ver também
- Branca-ursina-gigante
- Branca-ursina-de-Sosnowsky
- Branca-ursina-da-Pérsia
- Heracleum
- Umbela
- Furanocumarina
Footnotes
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Este artigo é uma tradução do artigo em inglês, revisão 1595.